Sejam Todas e Todos Bem Vindos

"Desejamos boas vindas a esse blog que pretende ser um espaço de comunicação onde seus usuários terão toda liberdade de expressar suas opiniões acerca das postagens atualizadas diariamente sobre os mais variados assuntos que digam respeito a sociedade em que fazemos parte."

domingo, 15 de julho de 2007

Judocas contam com mais apoio que os boxeadores

12h10min.
a
Os atletas do judô e do boxe vivem realidades bem distintas. Os primeiros, além de estar sob a tutela de uma confederação com infra-estrutura e recursos, ainda podem contar com verbas de patrocínio. Dos 14 judocas (sete homens e sete mulheres) da seleção brasileira que estão nos Jogos Pan-Americanos, apenas um não tem o apoio de uma empresa. Nenhum dos 11 boxeadores da equipe nacional tem patrocínio individual, segundo a comissão técnica. A ajuda vem dos clubes que representam e treinam, e da própria CBBoxe (Confederação Brasileira de Boxe).
a
Os atletas de quimono recebem no total cerca de R$ 3 milhões por ano, perto do triplo dos boxeadores. Com esse apoio, que vem da Lei Piva e de patrocínios da Infraero e da Scania, o esporte do tatame vem mostrando resultados. Nos últimos Jogos Pan-Americanos, em Santo Domingo, na República Dominicana (2003), foram dez medalhas, cinco delas de ouro – a modalidade com melhor resultado da delegação brasileira.
a
Segundo o chefe da equipe brasileira de judô no Pan, Ney Wilson Pereira da Silva, os resultados positivos foram aparecendo à medida que os recursos aumentavam. "O crescimento do orçamento a cada ano foi primordial para que os atletas trouxessem medalhas para o Brasil. Não tenho dúvidas disso. O incentivo dos patrocinadores e da Lei Piva tem contribuído para o nosso sucesso", ressalta.
a
Silva, entretanto, diz que a entrada de mais recursos seria importante. "Cada vez mais melhoramos nosso estrutura, a preparação da equipe de base, por isso precisamos sempre de mais", comenta.
a
Ele diz também que a tradição do judô e a conquista de medalhas em competições importantes como Olimpíadas, mundiais e Pan-Americanos possibilitam o apoio individual pelas empresas. O atleta, por ter aumentado o seu grau de exposição na mídia, atrai patrocinadores. Para ele, o patrocínio é importante nos esportes individuais: "Dá uma tranqüilidade ao atleta para treinar, e isso para a comissão técnica é muito bom".
a
Para o Pan do Rio de Janeiro, o chefe da equipe brasileira diz que a modalidade quer superar a marca de 2003, obtendo 11 a 14 medalhas, a maioria de ouro. A competição de judô começa na quinta-feira e termina três dias depois.
a
No ringue a luta é diferente. Em Santo Domingo, o resultado foram duas medalhas de bronze. E o presidente da CBBoxe, Luiz Cláudio Bozelli diz que o potencial de pódios no Rio vai depender do sorteio das chaves dos lutadores, marcado para segunda-feira. Cada combate é eliminatório, e se aparecerem logo no caminho lutadores cubanos, venezuelanos e norte-americanos, avalia, as chances diminuem, pois os atletas desses países contam com forte apoio dos governos e empresas locais. "Fica difícil fazer uma previsão de medalhas, pois ainda não sei com quem os meninos vão lutar", frisa.
a
A distinção entre o tatame e o ringue no Brasil começa nas categorias de base. O país conta com centenas de academias de judô espalhadas pelos estados, e os atletas que se destacam já começam a ser trabalhados pela Confederação de Judô, que tem recursos e infra-estrutura. Já no boxe são poucas academias. Geralmente, os atletas começam tarde, muitos fugindo da miséria e vendo a chance de buscar um futuro digno.
a
A maioria dos boxeadores da equipe brasileira é da Bahia e do Pará. Eles trazem em comum a origem humilde. Exemplos não faltam: o peso leve Everton Lopes, 19 anos, destaque do Mundial Juvenil no ano passado, antes de subir aos ringues era lavador de carros e trabalhou duro como peão de obras; o meio-médio Pedro Lima, 24 anos, fez de tudo na infância para ajudar a família, vendendo picolé e salgadinhos, trabalhando como servente de obras e pedreiro, e ainda foi carregador em loja de móveis; e o meio-pesado Washington Luís da Silva, 29 anos, trabalhou como gandula de futebol e segurança de eventos.
a
Na modalidade, a busca de patrocínios é permanente, e não aparece enquanto não surgem as medalhas. "Acontece muito de eles [patrocinadores] só nos procurarem antes de eventos de porte, como o Pan, porque a imprensa divulga. Depois que acaba a competição, volta tudo como era antes. Isso não é patrocinador, é aproveitador", critica Washington, que em Santo Domingo viu a medalha de bronze lhe escorregar do peito após estar em vantagem durante todo o combate. "A luta é permanente no boxe. Nunca acaba", conclui. As lutas de boxe seguem o mesmo calendário do judô no Pan.
a
Fonte:
Agência Brasil

Nenhum comentário: