12h10min.
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Os atletas do judô e do boxe vivem realidades bem distintas. Os primeiros, além de estar sob a tutela de uma confederação com infra-estrutura e recursos, ainda podem contar com verbas de patrocínio. Dos 14 judocas (sete homens e sete mulheres) da seleção brasileira que estão nos Jogos Pan-Americanos, apenas um não tem o apoio de uma empresa. Nenhum dos 11 boxeadores da equipe nacional tem patrocínio individual, segundo a comissão técnica. A ajuda vem dos clubes que representam e treinam, e da própria CBBoxe (Confederação Brasileira de Boxe).
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Os atletas de quimono recebem no total cerca de R$ 3 milhões por ano, perto do triplo dos boxeadores. Com esse apoio, que vem da Lei Piva e de patrocínios da Infraero e da Scania, o esporte do tatame vem mostrando resultados. Nos últimos Jogos Pan-Americanos, em Santo Domingo, na República Dominicana (2003), foram dez medalhas, cinco delas de ouro – a modalidade com melhor resultado da delegação brasileira.
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Segundo o chefe da equipe brasileira de judô no Pan, Ney Wilson Pereira da Silva, os resultados positivos foram aparecendo à medida que os recursos aumentavam. "O crescimento do orçamento a cada ano foi primordial para que os atletas trouxessem medalhas para o Brasil. Não tenho dúvidas disso. O incentivo dos patrocinadores e da Lei Piva tem contribuído para o nosso sucesso", ressalta.
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Silva, entretanto, diz que a entrada de mais recursos seria importante. "Cada vez mais melhoramos nosso estrutura, a preparação da equipe de base, por isso precisamos sempre de mais", comenta.
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Ele diz também que a tradição do judô e a conquista de medalhas em competições importantes como Olimpíadas, mundiais e Pan-Americanos possibilitam o apoio individual pelas empresas. O atleta, por ter aumentado o seu grau de exposição na mídia, atrai patrocinadores. Para ele, o patrocínio é importante nos esportes individuais: "Dá uma tranqüilidade ao atleta para treinar, e isso para a comissão técnica é muito bom".
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Para o Pan do Rio de Janeiro, o chefe da equipe brasileira diz que a modalidade quer superar a marca de 2003, obtendo 11 a 14 medalhas, a maioria de ouro. A competição de judô começa na quinta-feira e termina três dias depois.
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No ringue a luta é diferente. Em Santo Domingo, o resultado foram duas medalhas de bronze. E o presidente da CBBoxe, Luiz Cláudio Bozelli diz que o potencial de pódios no Rio vai depender do sorteio das chaves dos lutadores, marcado para segunda-feira. Cada combate é eliminatório, e se aparecerem logo no caminho lutadores cubanos, venezuelanos e norte-americanos, avalia, as chances diminuem, pois os atletas desses países contam com forte apoio dos governos e empresas locais. "Fica difícil fazer uma previsão de medalhas, pois ainda não sei com quem os meninos vão lutar", frisa.
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A distinção entre o tatame e o ringue no Brasil começa nas categorias de base. O país conta com centenas de academias de judô espalhadas pelos estados, e os atletas que se destacam já começam a ser trabalhados pela Confederação de Judô, que tem recursos e infra-estrutura. Já no boxe são poucas academias. Geralmente, os atletas começam tarde, muitos fugindo da miséria e vendo a chance de buscar um futuro digno.
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A maioria dos boxeadores da equipe brasileira é da Bahia e do Pará. Eles trazem em comum a origem humilde. Exemplos não faltam: o peso leve Everton Lopes, 19 anos, destaque do Mundial Juvenil no ano passado, antes de subir aos ringues era lavador de carros e trabalhou duro como peão de obras; o meio-médio Pedro Lima, 24 anos, fez de tudo na infância para ajudar a família, vendendo picolé e salgadinhos, trabalhando como servente de obras e pedreiro, e ainda foi carregador em loja de móveis; e o meio-pesado Washington Luís da Silva, 29 anos, trabalhou como gandula de futebol e segurança de eventos.
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Na modalidade, a busca de patrocínios é permanente, e não aparece enquanto não surgem as medalhas. "Acontece muito de eles [patrocinadores] só nos procurarem antes de eventos de porte, como o Pan, porque a imprensa divulga. Depois que acaba a competição, volta tudo como era antes. Isso não é patrocinador, é aproveitador", critica Washington, que em Santo Domingo viu a medalha de bronze lhe escorregar do peito após estar em vantagem durante todo o combate. "A luta é permanente no boxe. Nunca acaba", conclui. As lutas de boxe seguem o mesmo calendário do judô no Pan.
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Fonte:
Agência Brasil
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