Sejam Todas e Todos Bem Vindos

"Desejamos boas vindas a esse blog que pretende ser um espaço de comunicação onde seus usuários terão toda liberdade de expressar suas opiniões acerca das postagens atualizadas diariamente sobre os mais variados assuntos que digam respeito a sociedade em que fazemos parte."

domingo, 22 de julho de 2007

‘A economia solidária realmente existe’

07h15min.
a
Luciele Velluto
Do Diário do Grande ABC
a
O economista e professor Paul Singer está orgulhoso dos resultados da Senaes (Secretaria Nacional de Economia Solidária). Não sem motivo. Com quatro anos de existência, a Pasta que dirige está fazendo avançar a economia solidária.
a
E, afinal, o que é economia solidária? Trata-se do sistema de trabalho das cooperativas, nos quais os próprios trabalhadores administram a empresa em regime democrático.
a
Hoje, o Brasil tem 18 mil cooperativas que reúnem 1,5 milhão de empregados. Há apenas dois anos, eram 15 mil corporações.
a
O grande desafio do secretário é trazer a maioria destes trabalhadores para a formalidade, dando condições para que deixem programas assistencialistas como o Bolsa-Família.
a
Para atender à crescente demanda, Singer cobra ampliação de sua equipe.
a
No Grande ABC, ele vê um celeiro, afinal a região já apresenta 116 cooperativas com 2.350 trabalhadores.
a
DIÁRIO – Os últimos dados da Senaes mostram 1,5 milhão de trabalhadores na economia solidária. Qual a meta da secretaria?
a
PAUL SINGER – Esse levantamento, que é o Sistema de Informações de Economia Solidária, está sendo feito em todos os Estados do Brasil. Até 2005, que foi o primeiro resultado, foram cadastrados 15 mil empreendimentos que ocupavam 1,250 milhão de pessoas. Hoje, a informação é que já estamos com cerca de 18 mil empreendimentos e 1,5 milhão de trabalhadores. A meta é que se chegue a 21 mil em todo o Brasil ainda este ano. E isto deve nos dar muitos dados para fazer política de economia solidária.
a
DIÁRIO – Qual o desafio para as cooperativas hoje?
a
SINGER – Das 15 mil identificadas na primeira vez, somente 11% são cooperativas formais. Como a informalidade é uma condição normal no Brasil, dá para agüentar. Só que é injusto. Eles só podem transacionar com outros informais porque não emitem nota. Estão, se tornam excluídos por uma barreira fiscal do grande mercado que tem dinheiro no Brasil. E os informais são todos pobres e continuaram pobres porque estão isolados dentro de um gueto. Vamos tentar combater isto com a entrada das cooperativas na Lei do Supersimples.
a
DIÁRIO – Como está o desenvolvimento das cooperativas sociais (associações que envolvem trabalhadores em desvantagem social, como ex-presidiários, portadores dedeficiências e dependentes químicos)?
a
SINGER – São 240 no País. É um número que vai crescer, porque quase não tínhamos essas entidades. Mas a legislação nesse caso tem lacunas muito graves.
a
DIÁRIO – A secretaria consegue atender todas as demandas da economia solidária?
a
SINGER – Minha posição exige várias atividades políticas, o que não me permite acompanhar a economia solidária como eu queria. São várias as demandas e, muitas vezes, urgentes. Uma grande cooperativa está à beira de fechar e deixar mil trabalhadores na rua. Tenho que largar tudo e correr para ajudar. E o movimento está crescendo, junto com os problemas, mas não consigo ampliar minha equipe. Precisaria ter o dobro para dar suporte, participar mais, fazer uma política de economia solidária realmente com maior qualidade.
a
DIÁRIO – Mas como a secretaria equaciona a demanda?
a
SINGER – Temos diversas frentes de luta, como gosto de chamar, com acordos de cooperação entre ministérios. Com o Ministério de Desenvolvimento Social, o objetivo é que os beneficiados possam ter condições de abrir mão dos benefícios, especialmente o Bolsa-Família. Queremos que trabalhem e ganhem a própria vida. Mas se forem registrados, perdem o benefício, o que eles não querem e estão certos. Afinal, disto depende a comida de seus filhos.
a
DÍÁRIO – A Senaes reúne quantas frentes de trabalho?
a
SINGER – Temos dezenas de frentes, com negros, mulheres, indígenas, jovens e assentamentos da reforma agrária. Fico muito feliz com esta situação, mas não temos fôlego para dar conta de tudo. A minha ambição é que os 11 milhões do Bolsa-Família estejam reduzidos à metade daqui a alguns anos.
a
DIÁRIO – Como o senhor vê o papel do Grande ABC na economia solidária?
a
SINGER – A economia solidária realmente existe no Brasil. Mas há lugares em que ela é muito densa e que lidera como exemplo ou pelo apoio. O Grande ABC é um deles. A região se distingue pelo papel da economia solidária com incubadoras e projetos.
a
Fonte:
Diário OnLine

Nenhum comentário: