19h01min.
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RIO DE JANEIRO, (ANSA) - O Brasil celebra com homenagens o centenário de seu arquiteto mais reconhecido, Oscar Niemeyer, que, cinco meses antes de seu aniversário, que será comemorado em dezembro, afirmou que seus cem anos "são apenas um rumor".
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"Tenho apenas 50 anos!", respondeu Niemeyer à primeira pergunta da Agência ANSA sobre suas inúmeras comemorações desde o começo do ano em todo o país e em outros locais no mundo, em ocasiao de seu centenário, em 15 de dezembro.
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"Sim, tenho noção do que fiz e do que fica ainda por fazer, bom, então tenho apenas 50 anos", assegurou o criador da cidade de Brasília, em seu austero estúdio de paredes brancas com algum ou outro desenho seu, e enormes janelas pelas quais se vê morros e o mar de Copacabana.
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Condecorações de vários países - como a Grande Ufficiale, outorgada pelo presidente da República da Itália, Giorgio Napolitano -, um vem e vai de personalidades de todo o mundo que querem saúda-lo, enquanto o arquiteto reafirma sua condição de comunista que não renuncia às causas sociais que defendeu sempre.
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"Há tanta miséria, tanta gente na rua, e por isso, devemos ainda trabalhar por um mundo melhor, mais fraternal. Não há mais nenhuma razão para ser presunçosos e pensar que alguém é mais importante que o outro", refletiu.
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E afirmou: "Sou arquiteto. Realizei obras que parecem interessantes, mas quando vejo gente que protesta e luta por uma causa justa, bom, então penso que meu trabalho não é tão relevante como o dessas pessoas".
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"Consciente de tudo isso, eu caminho tranqüilo por esta via, que passa apenas em um minuto", enfatizou.
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Para Niemeyer, "a vida é um sopro", tal como resumiu para o documentário homônimo, dirigido por Fabiano Maciel, e filmado em seis cidades brasileiras, e na França, Itália, Argélia e Estados Unidos, onde o arquiteto deixou seus passos definidos em obras.
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O filme conta com palavras de José Saramago, Eric Hobsbawn, Eduardo Galeano, Ferreira Gullar e Chico Buarque, e as do próprio Niemeyer, que reitera sua paixão pelas curvas.
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"Não é o ângulo reto que me atrai. Nem a linha reta, dura, inflexível, criada pelo homem. O que me atrai é a curva livre e sensual", explicou.
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"A curva que encontro nas montanhas de meu país, no curso sinuoso de seus rios, nas ondas do mar, no corpo da mulher eleita. Das curvas está todo o universo. O universo curvo de Einstein", enfatizou.
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A frase "A vida é um sopro" abrigará também uma exposição em tributo a Niemeyer, com desenhos e textos de centenas de artistas de vários países, como o francês Jano, o argentino Carlos Nine e o brasileiro Marcelo Lelis.
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A exposição poderá ser vista na 5ª Bienal de Quadrinhos, em outubro, em Belo Horizonte, organizada pela editora Casa 21, do brasileiro Roberto Ribeiro e do italiano naturalizado brasileiro Giuseppe Emanuele Landi.
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Ribeiro antecipou que as ilustrações enviadas para a exposição serão editadas em um catálogo, e os originais das obras, "gentilmente cedidos pelos artistas", serão oferecidos após a exposição à Fundação Oscar Niemeyer, para apoiar seus projetos sociais.
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Niemeyer recebe "emocionado" as notícias das homenagens, e enquanto fuma um cigarro, repete à Agência ANSA: "Isso dos cem anos é puro rumor".
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Fonte:
2 comentários:
A vitalidade que o Oscar Niemeyer tem demonstrado ter com sua incansável disposição em trabalhar nos dar a certeza de que esse assunto dele estar completando 100 anos é "puro Rumor".
Parabéns Niemeyer.
Beto Silva
Nos dias atuais em que não temos tempo sequer de olhar ao que estar ao nosso redor, o Oscar Niemeyer com serenidade consegue não apenas observar mas utilizar as formas da natureza como fonte de inspiração para os seus trabalhos. Os seus belos trabalhos.
parabéns..
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